G.E.T.U.H.

GRUPO ESPÍRITA TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA

León Denis nasceu em Foug – na região da Alsácia Lorena, na França –, no primeiro dia de janeiro de 1846. Desde a mais tenra infância, conheceu dificuldades materiais e trabalho árduo. Não
deixou, porém, de apreciar e valorizar as coisas boas que a vida lhe deu: o aconchego familiar, as belezas naturais e os tesouros da civilização de seu país. Graças às maravilhosas revelações
contidas nos livros – de difícil acesso, embora, para o jovem operário –, deslumbrava-se com o conhecimento e "viajava" pelo mundo, pelos espaços infinitos e pelas riquezas inestimáveis do
pensamento humano.

Aos 18 anos, conheceu O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Pouco tempo depois, assistiu a uma
conferência proferida pelo codificador da Doutrina Espírita em Tours, cidade na qual viveu dos 16 anos até o fim de sua vida. Ali, no jardim onde se realizou a conferência, sob a luz das estrelas, Denis bebeu as palavras de Kardec, que falava sobre a obsessão. Desde então, dedicou-se plenamente à causa do estudo e
da divulgação da Doutrina Espírita.
Foi nesse espírito de entrega total que ele atravessou, imperturbável, todas as tormentas da existência: guerras (inclusive a Primeira Guerra Mundial), cegueira, críticas, perda de entes queridos etc., sempre firme em seu posto, escrevendo livros e artigos, fazendo palestras, presidindo congressos, esclarecendo, consolando, animando. "Sempre para o mais alto!" foi o lema que seu guia espiritual, Jerônimo de Praga, lhe deu para pautar a vida. Foi o exemplo que colheu da vida de sua amada sorella, a heroína Joana d'Arc. Foi o lema que ele deu a todos nós. Sua vida, absolutamente coerente com sua obra, lhe valeu o título de Apóstolo do Espiritismo.


Obra
A primeira grande obra de Denis apareceu em 1890 sob o título Depois da morte. Dividida em cinco partes, apresenta na primeira as grandes religiões da Antiguidade. Na segunda, expõe a filosofia espírita; nas duas partes seguintes, aborda o mundo invisível e sua influência no mundo encarnado. Na quinta parte, coloca a questão moral, preocupação permanente de Denis. Sob o título "O caminho reto", é um pequeno tratado de virtude.
Cristianismo e Espiritismo surgiu em agosto de 1898. Nele, Léon Denis expôs a correlação entre o Cristianismo e o Espiritismo, considerando este um delta onde aquele deságua, abrindo para o mundo, segundo Herculano Pires, as perspectivas de uma nova fase de evolução espiritual.
Em 1903, publicou O mundo invisível, com 500 páginas de texto. “Todo adepto – escreve na introdução – deve saber que a regra por excelência das relações com o invisível é a lei das afinidades e das atrações . . . a experimentação, no que tem de belo e de grande, não é bem-sucedida com o mais sábio, mas com o mais digno, com o melhor, com aquele que tem mais paciência, mais consciência e mais moralidade”.
Em outro livro, O problema do ser, do destino e da dor, de 1905, Léon Denis antepõe o espiritualismo ao materialismo, numa época de negação ou afirmação gratuitas, de uma metafísica do nada. Para ele, o Espiritismo fornece o meio de nos livrar da dúvida; ele mostra a evolução do pensamento intuitivo, aparecendo a importância da Ciência em sua plenitude, pois ela é o meio de atingir o conhecimento.
Em 1911, lança O grande enigma: Deus e o Universo. Segundo Denis, a existência de Deus não se demonstra como teorema, todavia deve ser concebida. Deus é manifestado pelo Universo, que é a sua representação sensível, contudo não se confunde com ele.


Atividade intensa
Outra faceta interessantíssima de Léon Denis se traduz na sua participação intensa em congressos espíritas, desde o Congresso Espiritualista Internacional de 1889, no qual presidiu a comissão de propaganda. Na verdade, tratava-se de um congresso ecumênico, em que se misturavam adeptos de Kardec, de Swedenborg, cabalistas, teósofos e rosa-cruzes. Nesse primeiro Congresso, aconteceram algumas desavenças teóricas, revelando-se Léon Denis como o mais seguro mantenedor da tese kardecista.
Quando o Congresso Internacional de 1900 aconteceu em Paris, Léon Denis foi nomeado presidente. Fez a sessão de abertura, na qual expressou sua confiança no espiritualismo moderno, ainda que em seu seio se defrontassem certas teses de tendências diferentes, embora não opostas.
Em junho de 1905, aconteceu o Congresso de Liége (Bélgica), do qual Léon Denis foi presidente de honra; já então era chamado de apóstolo. Ele defendeu a tese de que os congressos deveriam ocorrer em datas mais próximas, pois considerava esses eventos como manifestação importante da vitalidade dos “nossos princípios e das nossas crenças”(espiritualistas).
No I Congresso Espírita Universal que teve lugar em Bruxelas, de 14 a 18 de maio de 1910, tratou-se especialmente de magnetismo, ciência psíquica e psicose. Léon Denis foi convidado apenas como delegado da França e do Brasil. O kardecismo foi deixado um pouco na penumbra, segundo Gaston Luce em Vida e Obra de Léon Denis. O apóstolo tinha então 64 anos.
Nesse Congresso, ele pronunciou um de seus mais notáveis discursos: "A missão do século XX".
Em 1913, a Sociedade de Estudos Psíquicos de Genebra assumiu o encargo de organizar o II Congresso Espírita Universal, sob presidência do senhor Piguet, tendo como assistentes na função Léon Denis e Gabriel Delanne.
Léon Denis comprovou que a Ciência e a Filosofia, pouco a pouco assumiam alguns conceitos espíritas. Quanto à ciência, suacrítica era no sentido de que ela pretendia que os fenômenos se repetissem à vontade, esquecida de que no Espiritismo se trata de vontades livres. Em 1925, de 6 a 13 de setembro, Léon Denis assumiu os encargos da presidência do III Congresso Espírita Internacionalde Paris. Estavam presentes o célebre escritor inglês Arthur Conan Doyle e Jean Meyer, organizador do espiritismo francês. O foco principal do Congresso foi identificar o caráter científico do Espiritismo Experimental. Léon Denis, então com 80 anos,fixou os pontos essenciais da Doutrina. O que ele considerava importante era o conceito de que o Espiritismo se baseia naexperimentação científica. Parte dos efeitos para chegar às causas, seguindo um rumo inverso ao da revelação religiosa. Retorno ao plano espiritualA hora de retornar ao plano espiritual – de onde Léon Denis continua sua missão – o encontrou já ancião, com 81 anos, emplena atividade. Apressava-se em concluir o livro O gênio céltico e o mundo invisível, para entregá-lo a seus editores. Não chegaria a vê-lo publicado. Ditou para sua secretária, Claire Baumard, o prefácio prometido a Henri Sauce, que publicaria uma biografia de Kardec. Que trabalho seria mais digno de encerrar a carreira do apóstolo do Espiritismo? Manhã chuvosa de 12 de abril de 1927. No quarto de Denis, amigos fiéis acompanham seus últimos instantes. Gaston Luce esua esposa estão entre eles. Mademoiselle Baumard tem nas suas as mãos do agonizante, que não cessa de lhe darrecomendações para o futuro da Doutrina Espírita.

 

Dentre suas obras, destacam-se:

 

  • Cristianismo e Espiritismo

  • Depois da Morte

  • Espíritos e Médiuns

  • Joana D'Arc, Médium

  • No Invisível

  • O Além e a Sobrevivência do Ser

  • O Espiritismo e o Clero Católico

  • O Espiritismo na Arte

  • O Gênio Céltico e o Mundo Invisível

  • O Grande Enigma

  • O Mundo Invisível e a Guerra

  • O Porquê da Vida

  • O Problema do Ser, do Destino e da Dor

  • O Progresso

  • Provas Experimentais da Sobrevivência

  • Socialismo e Espiritismo