G.E.T.U.H.

GRUPO ESPÍRITA TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA

"Nunca fiz outra coisa senão estudar. Na mocidade, todos os ramos do conhecimento atinentes às artes e às ciências exerceram igualmente irresistível fascinação sobre mim, tornando-me até difícil seguir um caminho na vida. Decidi, finalmente, pela Filosofia, e Herbert Spencer foi o meu ídolo. Tornei-me um positivista materialista convicto a tal ponto que me parecia incrível existirem pessoas de cultura intelectual, dotadas de senso comum, que pudessem crer na existência e sobrevivência do espírito".

 

Assim escreveu Ernesto Bozzano num estudo biográfico, publicado em Londres em 1930. Nascido em Gênova, Itália, em 1861, e desencarnado na mesma cidade em 1943, o autor de Metapsíquica humana, sofreu influência negativa quando, em 1891, passou a assinar a revista Anais das Ciências Psíquicas, divulgadora dos estudos sobre o psiquismo humano, que despertavam o interesse dos homens de ciência da época. Uma discussão polêmica em relação à interpretação desses fenômenos, estabeleceu-se entre Rosembach, professor em S. Petersburgo, Rússia, e o médico e fisiologista Charles Richet, Prêmio Nobel de Medicina em 1913. Esse debate, publicado na Revista Filosófica, foi cuidadosamente acompanhado por Bozzano, que ficou impressionado com a argumentação apresentada por Richet, que lhe deu a convicção da realidade dos fatos e a visão do mistério em que as explicações deles estavam envoltas. Passou, então, a estudar as obras referentes ao assunto, interessando-se especialmente pelas investigações sobre telepatia. Referindo-se a esses acontecimentos, escreveu em sua autobiografia: "dava com segurança, sem o saber, um grande passo na estrada de Damasco...".

"Colocava-me irrevogavelmente num novo campo de pesquisas, que iriam conduzir-me em direção oposta à do positivismo materialista que eu professava"."Não é sem desalento" - confessou - "que assistimos à demolição do sistema completo de nossos convívios filosóficos adquiridos à custa de meditações acuradas e de perseverantes esforços intelectuais".

Dedicou-se, ainda, ao estudo de autores como Kardec, Léon Denis, Gabriel Delanne, William Crookes e Alexander Aksakof,que o conduziram às origens do movimento espírita, para conhecer sua extraordinária trajetória. E Bozzano concluiu na autobiografia: "Guardo imorredoura lembrança desse período de fervorosas e efervescentes pesquisas,porque, por meio delas, me tornei capaz de assentar as minhas novas convicções espíritas sobre uma base científica inabalável". "Fiquei apto a formar para mim mesmo um sólido conhecimento científico, tirado dos argumentos. Entendi, porém, que chegara o momento em que deveria confirmar os meus conhecimentos teóricos com investigações experimentais".E assim aconteceu. Após assistir a um sem-número de sessões de efeitos físicos, de materializações ou ectoplasmias, iniciou as próprias investigações, organizando um grupo experimental que, no decurso de cinco anos, reuniu vasto material, objeto de publicações na Itália e em outros países da Europa.

Bozzano levou cerca de nove anos estudando profundamente os fenômenos psíquicos, antes de publicar os resultados obtidos. Tornou-se um dos maiores pesquisadores dos fatos espíritas. Escreveu cerca de trinta monografias focalizando, entre outros assuntos, os fenômenos que ocorrem no momento do desencarne (Fenômenos psíquicos no momento da morte); a mediunidade poliglota (Xenoglossia), através da qual os médiuns falam ou escrevem em línguas que eles ignoram totalmentee, às vezes, ignoradas de todos os presentes; ou falam ou escrevem em pseudolínguas inexistentes, elaboradas nos recessos de suas subconsciências, fato conhecido sob a denominação de glossolália. Além dos livros citados, foram traduzidos para o português outros de capital importância, como:

  • Animismo e Espiritismo,

  • Pensamento e vontade,

  • Os enigmas da Psicometria,

  • Metapsíquica humana,

  • A crise da morte.

A riqueza de informações no campo da fenomenologia espírita recomenda Bozzano, um autor cujas obras devem ser lidas e estudadas, a fim de sedimentar o conhecimento da Doutrina Espírita no seu aspecto científico.

 

Fonte: www.searabendita.org.br